6 meses a mil

“While I was in Armenia many Brazilian friends on Facebook asked me if I was staying with relatives. I said that almost all of my family died during the Genocide, and the cities where my grandparents were born are very far from what’s left of Armenia. The Turks destroyed my family and the families of many other Armenians. But Birthright Armenia provided me with a new family that welcomed me during those six months I spent there. I was treated like a son. I have all this family in my heart now. What Turks destroyed, Birthright Armenia built.”

— Yuri Kebian Omonte
Brazil, 2012-2013

Antes de tomar essa decisão de ser voluntário na Armênia durante um longo tempo, o máximo que eu passei longe de casa, havia sido um mês, e em casa de parentes. Não foi fácil o dia em que vi meus pais chorando no dia do meu embarque. Fui muito feliz pelo fato de estar realizando um sonho, e ao mesmo tempo, estava desconfiado porque não sabia falar o idioma local, não sabia se a família que me acolheu seria boa ou não, não sabia se teria bons amigos. Só sabia que ia me encontrar com o meu amigo Micael Nalbandian, que conheci meses antes, em Montevidéu. O Micael também participou do Programa Birthright Armenia.

Quando eu cheguei, o motorista do Birthright estava com um papel com o meu nome e minha foto. Ele não fala inglês. Só armênio e russo! Eu cheguei só sabendo falar 10 palavras em armênio. Imagine o drama que foi logo de cara, no aeroporto. Senti-me em outro planeta! Mas ao chegar na minha host house, eu fiquei mais tranquilo porque minha host mother fala um pouco de inglês e tanto minha host sister quanto meu host brother falam inglês fluente. Cheguei em minha host house muito cansado. 11 horas de voo do Rio até Paris, mais 2 horas de escala, e finalmente, mais 5 horas e meia de Paris até Yerevan. No dia seguinte, ainda muito cansado, fui ao Birthright Armenia. Em menos de 24 horas depois de chegar na Armênia, eu me encontrei com o Micael, e também conheci o Alex Avakian.

Fui para ficar 4 meses. Mas eis que adiei minha volta! Troquei minha passagem aérea de 13/01/2013 para 17/03/2013. No fim, foram 6 meses e alguns dias. Foi uma experiência que daqui a 50 anos eu lembrarei. Pude conhecer toda Armênia nas excursões oferecidas pelo Birthright Armenia, participei de fóruns e havaks, e o principal, aprendi a falar o idioma. Foram meses de muito empenho para conseguir ler, falar e escrever em armênio. Durante esses meses, eu vi de perto a Armênia que sobrou. Embora eu estivesse muito distante de onde meus avós nasceram, parece que eu os sentia perto de mim.

Vejo que muita gente na diáspora diz que ama a Armênia e que sonha em um dia morar na Armênia. Não duvido do amor de nenhum armênio pela pátria mãe. Mas só vai poder dizer que REALMENTE quer morar na Armênia aquele que passar o inverno lá. Como eu passei, posso dizer que quero morar na Armênia.

O serviço voluntário eu fiz em 3 lugares diferentes. Centro Hispano, Escola República Argentina, e de vez em quando, no Birthright Armenia. Sempre prestei esse serviço com muita alegria. Era tão bom que o tempo passava rápido.

A viagem para Artsakh foi a melhor de todas. Vi de perto as terras que os armênios lutaram até o fim para não perdê-las. E acima de tudo, os armênios não deixaram os azeris massacrarem os armênios daquela região. Numa confraternização em Shushi, ao ouvir música armênia e ver pessoas que também participaram do Birthright Armenia dançando, cheguei a chorar por 2 motivos:
1) Graças à sobrevivência da linha ascendente de todos os presentes na confraternização estávamos lá nessa bela confraternização. O plano de riscar a Armênia do mapa falhou. Não sei da história das famílias da maioria que estava presente, mas provavelmente alguma história era parecida com a história da minha família.

2) Essa confraternização foi num lugar que hoje poderia não ter armênios vivendo por lá.

Meus últimos dias foram tristes porque no fundo eu não queria voltar. Superei todas as minhas desconfianças! Lembro que enquanto eu estava na Armênia, muitos amigos brasileiros me perguntavam via Facebook se eu estava em casa de parentes. E eu disse que quase todos da minha família morreram no genocídio, e que as cidades onde meus avós nasceram são bem distantes do que sobrou da Armênia. Os turcos destruíram minha família e as famílias de vários outros armênios. O Birthright Armenia providenciou uma família para me acolher durante esses meses que eu passei na Armênia. Fui tratado como se fosse um filho. Tenho todos dessa família dentro do meu coração. O que o turco destruiu, o Birthright Armenia construiu. Hoje eu posso dizer que tenho família na Armênia. Sou muito grato à todos do Birthright Armenia e do Armenian Volunteer Corps. Sinto falta de cada um. Em breve voltarei!

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One thought on “6 meses a mil

  1. Nossa que lindo o seu post!!! o amor é maior do que qualquer mal no mundo. Parabéns!! agora tenho vontade de ir lá!

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